A Serra do Cipó, no estado de Minas Gerais é um dos lugares mais bonitos e com a natureza mais exuberante que já conheci, porém é difícil expressar o encantamento que eu sinto pela cidadezinha de Lapinha da Serra.

Lapinha da Serra é um distrito de Santana do Riacho, com estrada de terra que em geral não exige muito dos carros. A cidade é bem pequena e telefone celular não funciona. Alguns locais oferecem wi-fi.

mapa lapinha da serra

Para chegar a Lapinha saindo de Bh você deve pegar a MG010 até passar da ponte onde passa um carro de cada vez, depois há uma rotatória com placas indicativas, pegue a saída para Santana do Riacho e ande por mais 20 KM.

Chegando a Santana você deve seguir até a praça da igreja, virar a esquerda (passar em frente à igreja) e depois a direita, seguir essa rua até acabar o asfalto. A estrada para Lapinha fica à direita e depois disso é só ir reto. Em média uma hora até o centrinho da cidade.

mapa caminhada bicame

Mapa da caminhada

Atualmente há um posto de combustíveis em Santana (na primeira que fomos tivemos que recorrer aos vendedores informais), aconselho a completar o tanque antes de seguir viagem.

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Cidade pequena, com uma igrejinha no centro e em geral tudo acontece por ali mesmo. Os campings e pousadas estão um pouco mais espalhados e é bom você confirmar endereços e principalmente pontos de referência.

Dessa vez ficamos num contêiner (sorte, pois choveu)! Foi uma experiência bem bacana, espaço bom e agua quente para o banho.

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Saímos cedo em direção a Cachoeira do Bicame, uma das faltava conhecer. A visitação é limitada, apenas 30 pessoas por dia, por isso saia cedo.

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Com um carro comum devemos voltar a estrada e ir uns 2km no sentido contrario a Lapinha. Então na primeira porteira, você para o carro e começa a caminhada. Caso seu carro seja 4X4 ou esteja com moto de trilha é possível parar mais a frente, neste ponto da foto abaixo.

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Acredito que esse percurso que fizemos de jipe nos economizou uns 2 km.

Daí em diante é preciso continuar a pé, o caminho é mais amplo, conta com uma subida um pouco mais puxada e a próxima parada é no posto de identificação do Ibama, a cachoeira esta dentro de uma RPPN ( reserva particular de patrimônio natural).

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Nesse ponto de identificação devemos assinar um termo, deixar nossos dados e inclusive o horário previsto de retorno. O atendente dá informações e dicas do percurso, oferece água direto da mina e vende uns pasteis e uma limonada que salvam.

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Passamos pela próxima porteira e nessa parte a trilha fica mais difícil.

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Agora sim é uma trilha no meio do cerrado, com muitas pedras, algumas plataformas de madeira e sem sombra. A vegetação é rasteira e o vento forte.

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Do ponto de informação até a cachoeira são 5 km, sendo que quando você finalmente você vê a cachoeira depois de uma curva ainda falta 1 km até o poço e começa o pedaço mais difícil da trilha, uma descida com pedras.

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A cachoeira é maravilhosa, com a água meio marrom típica da região e gelada.

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Ao redor da queda d’água não há muito espaço para sentar ou deitar e onde tem é na pedra que não é das mais uniformes. Eu fiquei sentada na beirinha só admirando aquela maravilha, sem exageros é a mais bela que vi na vida.

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Levamos uma latinha de salada de atum pronta e Gatorade, infelizmente calculamos mal a água e ficamos sem para a volta. Por sorte contávamos com a água e os pasteis do ponto de identificação.

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A subida da cachoeira foi difícil, estávamos sem água, mortos com o percurso da ida e o sol das 14 horas na “muleira”.

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Nossa sorte foi que uma família de trilheiros (a filha do casal tinha 10 anos) viu que estávamos à beira da morte (hahaha) e dividiu a água deles conosco. Agradeço demais vocês!

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Passarela para evitar que pisemos na vegetação

Voltamos bem lentamente, parando em alguns locais no caminho e torcendo para ter forças até o carro. Paramos na casinha do Ibama e tomamos limonada e comemos pastel, tomamos água, enchemos nossa garrafa e descansamos uma meia hora ali.

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Faltavam ainda 3 km até o carro e claro que para melhorar nosso caminho se formou uma chuva no horizonte. Ela nos alcançou, durou pouco tempo e não estava muito forte. Sorte!

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Quando eu vi o carro logo após uma curva, eu agradeci a Deus, a Zeus e todos os outros deuses do Olimpo. A impressão que dava é quando mais perto chegávamos mais longe o carro estava.

Foi superação, foi lindo, cansativo e nos ensinou muito.